
Os quatro estilos de Marston: origem antiga, pouca validação independente
O modelo de quatro estilos de comportamento (Dominância, Influência, Estabilidade e Conformidade) é muito usado em empresas. Sua origem é um livro de 1928, e a validação revisada por pares é limitada.
De onde vem o modelo
Em 1928, o psicólogo William Moulton Marston publicou "Emotions of Normal People". Ele propôs que as emoções das pessoas comuns poderiam ser entendidas em dois eixos: se a pessoa percebe o ambiente como favorável ou hostil, e se sente mais ou menos poderosa diante dele. Daí surgiram quatro padrões, que Marston chamou de dominância, indução, submissão e conformidade. Marston é lembrado também por seus experimentos com pressão arterial na detecção de mentiras e por ter criado a personagem Mulher-Maravilha (Lepore, 2014).
Marston não criou um teste. Nas décadas seguintes, outros profissionais transformaram suas ideias em listas de adjetivos para uso em empresas, com os rótulos que se tornaram populares: Dominância, Influência, Estabilidade e Conformidade (ou Cautela), conhecidos pela sigla DISC.
O que a pesquisa diz
Hoje existem muitas versões comerciais do modelo, cada uma com itens e manuais próprios. Boa parte das evidências de confiabilidade e validade está em relatórios técnicos das próprias empresas, e não em revistas científicas revisadas por pares. Alguns desses relatórios indicam boa consistência interna das escalas, mas estudos independentes são poucos e, em geral, pequenos.
Os estudos disponíveis sugerem que os quatro estilos se sobrepõem a traços do modelo dos Cinco Grandes Fatores. Influência se aproxima de extroversão; Estabilidade, de amabilidade; Conformidade, de conscienciosidade; e Dominância combina assertividade com menor amabilidade (Jones & Hartley, 2013). Isso ajuda a explicar por que as descrições parecem fazer sentido: elas tocam em dimensões reais de personalidade, só que com menos precisão.
Usos e cuidados
O modelo é popular em treinamentos de comunicação e trabalho em equipe porque é simples e não hierarquiza os estilos. O cuidado principal é não usá-lo para contratar, promover ou excluir pessoas: não há evidência sólida de que o perfil preveja desempenho no trabalho.
Limitações
O teste do Ethea usa blocos de escolha forçada, o formato clássico desse tipo de instrumento, e por isso produz um perfil relativo entre os quatro estilos. Com 12 blocos, cada estilo é medido por poucas escolhas, e perfis próximos podem mudar ao refazer o teste. O teste não foi validado em amostras independentes e não deve ser usado em processos seletivos.
Como o Ethea adapta o modelo
A versão do Ethea tem 12 blocos com quatro adjetivos ou frases, um por estilo; você marca o mais e o menos parecido com você. O resultado mostra o estilo predominante, o secundário e a distribuição entre os quatro, com dicas de comunicação. Os textos evitam associar estilos a cargos ou a "melhores" profissionais.
Teste criado por Giovanni Oliveira.
O Ethea não tem vínculo com empresas que comercializam avaliações baseadas no modelo de Marston.
Referências
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- Marston, W. M. (1928). Emotions of Normal People. Kegan Paul, Trench, Trubner & Co. / Harcourt, Brace. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- Lepore, J. (2014). The Secret History of Wonder Woman. Alfred A. Knopf. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- Jones, C. S., & Hartley, N. T. (2013). Comparing correlations between four-quadrant and five-factor personality assessments. American Journal of Business Education, 6(4), 459–470. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- Hicks, L. E. (1970). Some properties of ipsative, normative, and forced-choice normative measures. Psychological Bulletin, 74(3), 167–184. DOI: 10.1037/h0029780(abre em nova aba)
- Brown, A., & Maydeu-Olivares, A. (2011). Item response modeling of forced-choice questionnaires. Educational and Psychological Measurement, 71(3), 460–502. DOI: 10.1177/0013164410375112(abre em nova aba)
- Brown, A., & Maydeu-Olivares, A. (2013). How IRT can solve problems of ipsative data in forced-choice questionnaires. Psychological Methods, 18(1), 36–52. DOI: 10.1037/a0030641(abre em nova aba)