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Ciência · Autoavaliação

Escala de Autoestima de Rosenberg: dez itens, seis décadas de uso

A escala de Morris Rosenberg é a medida de autoestima mais usada no mundo. É simples e confiável, e a pesquisa ajuda a entender o que a autoestima prevê e o que ela não prevê.

De onde vem a escala

O sociólogo Morris Rosenberg criou a escala para um estudo com cerca de cinco mil estudantes do ensino médio do estado de Nova York, publicado em 1965 no livro "Society and the Adolescent Self-Image" (Rosenberg, 1965). Ele definiu autoestima como uma atitude global, positiva ou negativa, em relação a si mesmo.

A escala tem dez frases, como "sinto que tenho várias boas qualidades" e "às vezes me sinto inútil". Metade é positiva e metade negativa, e as respostas vão de "discordo totalmente" a "concordo totalmente". Os itens negativos são invertidos e somados aos positivos, de modo que pontuações maiores indicam autoestima mais alta.

O que a pesquisa diz

A escala tem boa consistência interna e estabilidade, e foi aplicada simultaneamente em 53 países em um grande estudo transcultural, que encontrou estrutura semelhante na maioria deles e médias acima do ponto central da escala em quase todas as nações (Schmitt & Allik, 2005). No Brasil, há estudos de adaptação e normas (Hutz & Zanon, 2011).

Ao longo da vida, a autoestima tende a subir da adolescência até a meia-idade e a cair na velhice (Orth & Robins, 2014). Uma revisão influente concluiu que a autoestima alta se associa fortemente a se sentir feliz, mas que há pouca evidência de que ela cause bom desempenho escolar ou profissional; muitas vezes a relação é inversa, com o sucesso elevando a autoestima (Baumeister et al., 2003).

Debates

Um debate técnico antigo é se os itens positivos e negativos medem uma única coisa: análises mostram dois fatores, mas boa parte dessa divisão parece vir do efeito da formulação negativa, e não de duas autoestimas diferentes (Marsh, 1996). Outro debate é cultural: em algumas culturas, valorizar-se abertamente é menos aceito, o que pode afetar as respostas.

Limitações

O resultado reflete como você se avalia agora e pode variar com o humor e os acontecimentos recentes. A escala não mede autocompaixão, narcisismo ou autoestima em áreas específicas, como aparência ou trabalho. Uma pontuação baixa não é um diagnóstico, mas, se vier acompanhada de tristeza persistente, vale conversar com um profissional.

Como o Ethea adapta o modelo

O Ethea apresenta os dez itens com as quatro opções de resposta originais, inverte os itens negativos e soma os pontos, como na publicação, com faixas indicativas. Este questionário não foi criado pelo Ethea: o crédito é de Morris Rosenberg. Os textos de resultado evitam a ideia de que "mais autoestima" resolve tudo e sugerem caminhos com apoio na pesquisa, como a autocompaixão.

Referências

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  1. Rosenberg, M. (1965). Society and the Adolescent Self-Image. Princeton University Press. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
  2. Schmitt, D. P., & Allik, J. (2005). Simultaneous administration of the Rosenberg Self-Esteem Scale in 53 nations: Exploring the universal and culture-specific features of global self-esteem. Journal of Personality and Social Psychology, 89(4), 623–642. DOI: 10.1037/0022-3514.89.4.623(abre em nova aba)
  3. Baumeister, R. F., Campbell, J. D., Krueger, J. I., & Vohs, K. D. (2003). Does high self-esteem cause better performance, interpersonal success, happiness, or healthier lifestyles?. Psychological Science in the Public Interest, 4(1), 1–44. DOI: 10.1111/1529-1006.01431(abre em nova aba)
  4. Orth, U., & Robins, R. W. (2014). The development of self-esteem. Current Directions in Psychological Science, 23(5), 381–387. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
  5. Marsh, H. W. (1996). Positive and negative global self-esteem: A substantively meaningful distinction or artifactors?. Journal of Personality and Social Psychology, 70(4), 810–819. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
  6. Hutz, C. S., & Zanon, C. (2011). Revisão da adaptação, validação e normatização da Escala de Autoestima de Rosenberg. Avaliação Psicológica, 10(1), 41–49. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)