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Ciência · Escolha forçada

Forças de caráter: a classificação de Peterson e Seligman

A classificação de 24 forças de caráter em seis virtudes é um dos marcos da psicologia positiva. Tem boa base de pesquisa sobre bem-estar, mas a estrutura de seis virtudes não se confirma nos dados.

De onde vem o modelo

No início dos anos 2000, Christopher Peterson e Martin Seligman coordenaram um projeto para fazer, com as qualidades humanas, algo parecido com o que os manuais diagnósticos fazem com os transtornos: uma classificação comum. A equipe revisou textos filosóficos e religiosos de várias tradições e encontrou seis virtudes recorrentes: sabedoria, coragem, humanidade, justiça, temperança e transcendência (Dahlsgaard, Peterson & Seligman, 2005).

O resultado foi o livro "Character Strengths and Virtues" (Peterson & Seligman, 2004), que descreve 24 forças distribuídas entre essas virtudes, como curiosidade, bravura, bondade, justiça, autocontrole e gratidão. Para entrar na lista, uma força precisava, entre outros critérios, ser valorizada por si mesma e não diminuir outras pessoas.

O que a pesquisa diz

As forças foram estudadas em centenas de milhares de pessoas, em muitos países. Um resultado recorrente é que algumas forças, como esperança, entusiasmo, gratidão, amor e curiosidade, se associam mais fortemente à satisfação com a vida do que outras (Park, Peterson & Seligman, 2004). As forças mais e menos endossadas são parecidas entre culturas.

A estrutura teórica é o ponto mais fraco. Análises fatoriais não reproduzem as seis virtudes; os dados se organizam melhor em três a cinco fatores, como uma dimensão de cuidado com os outros, outra de curiosidade intelectual e outra de autocontrole (McGrath, 2015). Intervenções baseadas em usar as próprias forças de novas maneiras mostram efeitos positivos, em geral modestos.

Críticas e debates

Críticos observam que a lista mistura traços de personalidade, valores e habilidades, e que a escolha das 24 forças reflete uma perspectiva cultural específica, apesar do esforço de abrangência. Também se discute se "forças de assinatura" devem ser identificadas pelas mais altas de cada pessoa, como em um ranking, ou comparadas com normas da população.

Limitações

O questionário de pesquisa original usa centenas de itens com escala de concordância. O teste do Ethea usa blocos de escolha forçada, então mostra a ordem relativa das 24 forças dentro de você, não o nível absoluto de cada uma. Como cada força aparece apenas quatro vezes, as pontuações são grosseiras: diferenças de um ou dois pontos entre forças vizinhas no ranking não são significativas. O teste não foi validado em amostras independentes.

Como o Ethea adapta o modelo

A versão do Ethea tem 24 blocos de quatro frases; em cada bloco você marca a mais e a menos parecida com você, e cada força aparece exatamente quatro vezes. Esse formato combina com a ideia de "forças de assinatura" do modelo: identificar o que é mais característico de você, e não dar nota a todas. O resultado destaca as forças do topo e as agrupa pelas virtudes clássicas, apenas como forma de organização.

Teste criado por Giovanni Oliveira.

O Ethea não tem vínculo com o instituto que mantém o questionário oficial de forças de caráter nem com os autores da classificação.

Referências

Links com DOI levam ao artigo original. Quando não indicamos um DOI, o link abre uma busca no Google Acadêmico.

  1. Peterson, C., & Seligman, M. E. P. (2004). Character Strengths and Virtues: A Handbook and Classification. American Psychological Association / Oxford University Press. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
  2. Dahlsgaard, K., Peterson, C., & Seligman, M. E. P. (2005). Shared virtue: The convergence of valued human strengths across culture and history. Review of General Psychology, 9(3), 203–213. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
  3. Park, N., Peterson, C., & Seligman, M. E. P. (2004). Strengths of character and well-being. Journal of Social and Clinical Psychology, 23(5), 603–619. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
  4. McGrath, R. E. (2015). Integrating psychological and cultural perspectives on virtue: The hierarchical structure of character strengths. The Journal of Positive Psychology, 10(5), 407–424. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
  5. Hicks, L. E. (1970). Some properties of ipsative, normative, and forced-choice normative measures. Psychological Bulletin, 74(3), 167–184. DOI: 10.1037/h0029780(abre em nova aba)
  6. Brown, A., & Maydeu-Olivares, A. (2011). Item response modeling of forced-choice questionnaires. Educational and Psychological Measurement, 71(3), 460–502. DOI: 10.1177/0013164410375112(abre em nova aba)
  7. Brown, A., & Maydeu-Olivares, A. (2013). How IRT can solve problems of ipsative data in forced-choice questionnaires. Psychological Methods, 18(1), 36–52. DOI: 10.1037/a0030641(abre em nova aba)