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Ciência · Escolha forçada

Estilos de apego: de Bowlby e Ainsworth aos adultos

A teoria do apego é uma das mais sólidas da psicologia do desenvolvimento. Em adultos, a pesquisa mostra que o apego varia em duas dimensões contínuas, mais do que em quatro caixas.

De onde vem o modelo

O psiquiatra John Bowlby propôs, a partir dos anos 1950, que bebês nascem com um sistema de apego: uma tendência a buscar proximidade de quem cuida deles quando se sentem ameaçados. A qualidade dessas primeiras relações formaria "modelos internos" sobre si mesmo e sobre os outros (Bowlby, 1969).

Mary Ainsworth testou essas ideias com o procedimento da Situação Estranha, observando como bebês reagem à separação e ao reencontro com a mãe. Ela descreveu padrões seguro, ansioso-ambivalente e evitativo (Ainsworth et al., 1978); depois, Mary Main e Judith Solomon acrescentaram o padrão desorganizado.

Em 1987, Cindy Hazan e Phillip Shaver levaram a teoria para o amor romântico adulto (Hazan & Shaver, 1987). Kim Bartholomew e Leonard Horowitz (1991) propuseram quatro estilos adultos a partir de duas dimensões, a visão de si e a visão dos outros: seguro, preocupado, desinvestido e temeroso.

O que a pesquisa diz

Com o tempo, pesquisadores perceberam que os estilos adultos se organizam em duas dimensões: ansiedade (medo de rejeição e abandono) e evitação (desconforto com intimidade e dependência). Questionários construídos sobre essas dimensões, como os analisados por Fraley, Waller e Brennan (2000), têm boa confiabilidade.

Estudos taxométricos indicam que o apego adulto é dimensional: as pessoas variam por graus, e não se dividem naturalmente em tipos (Fraley et al., 2015). Os estilos são moderadamente estáveis, mas podem mudar com novas relações e experiências, e uma pessoa pode ter padrões diferentes com o parceiro, a família e os amigos. Ansiedade e evitação se associam, em média, a menor satisfação nos relacionamentos.

Críticas e debates

A teoria tem forte apoio, mas sua versão popular costuma exagerar o determinismo da infância e transformar estilos em rótulos. Também se discute quanto o apego medido por autorrelato em adultos corresponde ao apego observado na infância: as duas tradições de pesquisa se relacionam, mas não medem exatamente a mesma coisa.

Limitações

O teste do Ethea usa escolha forçada entre quatro estilos, então o resultado mostra qual padrão você mais reconhece em si em relação aos outros, e não os seus níveis de ansiedade e evitação. Uma pessoa com ansiedade e evitação baixas e outra com ambas altas podem ver perfis parecidos. O teste não foi validado contra questionários de pesquisa e não avalia trauma nem relações específicas.

Como o Ethea adapta o modelo

A versão do Ethea tem 16 blocos de quatro frases, uma por estilo; você marca a mais e a menos parecida com você. Usamos quatro estilos próximos aos de Bartholomew e Horowitz: Seguro, Ansioso (preocupado), Evitativo (desinvestido) e Desorganizado, nome popular para o estilo temeroso, que combina ansiedade e evitação altas. Os textos tratam os estilos como padrões que podem mudar, e não como diagnóstico.

Teste criado por Giovanni Oliveira.

Referências

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  1. Bowlby, J. (1969). Attachment and Loss: Vol. 1. Attachment. Basic Books. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
  2. Ainsworth, M. D. S., Blehar, M. C., Waters, E., & Wall, S. (1978). Patterns of Attachment: A Psychological Study of the Strange Situation. Lawrence Erlbaum. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
  3. Hazan, C., & Shaver, P. (1987). Romantic love conceptualized as an attachment process. Journal of Personality and Social Psychology, 52(3), 511–524. DOI: 10.1037/0022-3514.52.3.511(abre em nova aba)
  4. Bartholomew, K., & Horowitz, L. M. (1991). Attachment styles among young adults: A test of a four-category model. Journal of Personality and Social Psychology, 61(2), 226–244. DOI: 10.1037/0022-3514.61.2.226(abre em nova aba)
  5. Fraley, R. C., Waller, N. G., & Brennan, K. A. (2000). An item response theory analysis of self-report measures of adult attachment. Journal of Personality and Social Psychology, 78(2), 350–365. DOI: 10.1037/0022-3514.78.2.350(abre em nova aba)
  6. Fraley, R. C., Hudson, N. W., Heffernan, M. E., & Segal, N. (2015). Are adult attachment styles categorical or dimensional? A taxometric analysis of general and relationship-specific attachment orientations. Journal of Personality and Social Psychology, 109(2), 354–368. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
  7. Hicks, L. E. (1970). Some properties of ipsative, normative, and forced-choice normative measures. Psychological Bulletin, 74(3), 167–184. DOI: 10.1037/h0029780(abre em nova aba)
  8. Brown, A., & Maydeu-Olivares, A. (2011). Item response modeling of forced-choice questionnaires. Educational and Psychological Measurement, 71(3), 460–502. DOI: 10.1177/0013164410375112(abre em nova aba)
  9. Brown, A., & Maydeu-Olivares, A. (2013). How IRT can solve problems of ipsative data in forced-choice questionnaires. Psychological Methods, 18(1), 36–52. DOI: 10.1037/a0030641(abre em nova aba)