
PHQ-9: o questionário de humor mais usado em atenção primária
O PHQ-9 tem nove perguntas sobre sintomas depressivos nas últimas duas semanas. É um dos instrumentos de rastreio mais estudados da saúde mental, mas não faz diagnóstico.
De onde vem a escala
O PHQ-9 faz parte do Patient Health Questionnaire, desenvolvido por Robert Spitzer, Janet Williams e Kurt Kroenke nos anos 1990 para ajudar médicos de atenção primária a identificar problemas comuns de saúde mental. A versão de nove itens foi validada em 2001 (Kroenke, Spitzer & Williams, 2001).
Cada pergunta corresponde a um dos nove critérios de episódio depressivo dos manuais diagnósticos: pouco interesse ou prazer, sentir-se para baixo, alterações do sono, cansaço, alterações do apetite, sentir-se mal consigo mesmo, dificuldade de concentração, lentidão ou agitação e pensamentos de morte ou de se machucar. As respostas vão de 0 ("nenhuma vez") a 3 ("quase todos os dias"), com total de 0 a 27. Pontuações de 5, 10, 15 e 20 marcam sintomas leves, moderados, moderadamente graves e graves.
O que a pesquisa diz
No estudo original, com milhares de pacientes, uma pontuação de 10 ou mais teve sensibilidade e especificidade de cerca de 88% para depressão maior (Kroenke et al., 2001). Uma meta-análise com dados individuais de dezenas de milhares de participantes confirmou que 10 é um ponto de corte razoável para rastreio, com precisão um pouco menor do que a do estudo original (Levis, Benedetti & Thombs, 2019).
O PHQ-9 também é usado para acompanhar a evolução dos sintomas ao longo do tratamento. Há validação para a população brasileira (Santos et al., 2013) e para muitos outros países e idiomas.
Limites da escala
Rastreio não é diagnóstico. Muitas pessoas com pontuação alta não têm depressão maior quando avaliadas por um profissional, e sintomas como cansaço e alterações de sono podem ter causas físicas. O último item pergunta sobre pensamentos de morte ou de se machucar: qualquer resposta diferente de zero nesse item merece atenção, independentemente da pontuação total.
Limitações
O resultado reflete apenas as últimas duas semanas e depende de como você interpreta cada pergunta. A escala não avalia transtorno bipolar, luto ou outras condições que podem se parecer com depressão. Uma pontuação alta não é um diagnóstico, e uma pontuação baixa não descarta sofrimento. Se você se reconhece em muitos itens, converse com um profissional de saúde.
Como o Ethea adapta o modelo
O Ethea apresenta os nove itens com as opções de resposta originais e soma os pontos como na publicação, mostrando as faixas de referência como indicação. Como o último item trata de pensamentos de morte, mostramos contatos de apoio em crise junto à escala. Este questionário não foi criado pelo Ethea: o crédito é de Kroenke, Spitzer e Williams.
O Ethea não tem vínculo com os autores da escala nem com instituições que a distribuem.
Referências
Links com DOI levam ao artigo original. Quando não indicamos um DOI, o link abre uma busca no Google Acadêmico.
- Kroenke, K., Spitzer, R. L., & Williams, J. B. W. (2001). The PHQ-9: Validity of a brief depression severity measure. Journal of General Internal Medicine, 16(9), 606–613. DOI: 10.1046/j.1525-1497.2001.016009606.x(abre em nova aba)
- Levis, B., Benedetti, A., & Thombs, B. D. (2019). Accuracy of Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) for screening to detect major depression: Individual participant data meta-analysis. BMJ, 365, l1476. DOI: 10.1136/bmj.l1476(abre em nova aba)
- Santos, I. S., Tavares, B. F., Munhoz, T. N., et al. (2013). Sensibilidade e especificidade do Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) entre adultos da população geral. Cadernos de Saúde Pública, 29(8), 1533–1543. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)