
Inventário de Burnout de Copenhague: exaustão no centro
O Inventário de Burnout de Copenhague (CBI) mede fadiga e exaustão em três áreas da vida. Foi criado por pesquisadores dinamarqueses como alternativa aberta e focada às medidas clássicas de burnout.
De onde vem a escala
O conceito de burnout ganhou forma nos anos 1970 e foi consolidado pela psicóloga Christina Maslach, que o descreveu em três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal (Maslach & Jackson, 1981). O questionário criado por ela se tornou o mais usado do mundo, mas recebeu críticas, entre elas a de misturar o núcleo do burnout com possíveis consequências e a de ter uso comercial restrito.
Em 2005, Tage Kristensen e colegas do Instituto Nacional de Saúde Ocupacional da Dinamarca publicaram o CBI, desenvolvido em um grande estudo com trabalhadores de serviços humanos (Kristensen et al., 2005). O inventário coloca a fadiga e a exaustão no centro e as mede em três escalas: burnout pessoal (exaustão em geral), burnout relacionado ao trabalho e burnout relacionado aos clientes ou pessoas atendidas. As respostas são convertidas para uma escala de 0 a 100.
O que a pesquisa diz
No estudo original, as três escalas mostraram alta consistência interna e se relacionaram como esperado com faltas por doença, problemas de sono e intenção de deixar o emprego (Kristensen et al., 2005). Desde então, o CBI foi traduzido e testado em muitos países e profissões, de saúde a educação.
Em 2019, a Organização Mundial da Saúde incluiu o burnout na CID-11 como um fenômeno ocupacional, e não como uma condição médica: resultado de estresse crônico no trabalho que não foi bem gerenciado, com exaustão, distanciamento mental do trabalho e menor eficácia profissional.
Debates
Há uma discussão importante sobre a sobreposição entre burnout e depressão: revisões mostram que os dois se correlacionam fortemente e compartilham sintomas, e alguns pesquisadores questionam se o burnout é um quadro distinto (Bianchi, Schonfeld & Laurent, 2015). Também não há pontos de corte universais para o CBI; valores médios acima de 50 costumam ser usados em pesquisa como sinal de nível elevado, mas não como diagnóstico.
Limitações
O resultado mostra o quanto você tem se sentido exausto, não as causas. Exaustão pode vir de excesso de trabalho, de problemas de saúde, de cuidados com outras pessoas ou de depressão, e o questionário não diferencia essas situações. Uma pontuação alta não é um diagnóstico, e uma pontuação baixa não significa que o ambiente de trabalho seja saudável. Se a exaustão é persistente, converse com um profissional de saúde.
Como o Ethea adapta o modelo
O Ethea apresenta os itens do CBI com as opções de resposta originais e segue a lógica de pontuação de 0 a 100 publicada pelos autores, mostrando faixas indicativas. Este questionário não foi criado pelo Ethea: o crédito é de Kristensen e colegas. Nos resultados, separamos o que é cansaço geral do que é ligado ao trabalho, para ajudar a pensar onde agir.
O Ethea não tem vínculo com os autores do inventário nem com o instituto dinamarquês onde ele foi criado.
Referências
Links com DOI levam ao artigo original. Quando não indicamos um DOI, o link abre uma busca no Google Acadêmico.
- Kristensen, T. S., Borritz, M., Villadsen, E., & Christensen, K. B. (2005). The Copenhagen Burnout Inventory: A new tool for the assessment of burnout. Work & Stress, 19(3), 192–207. DOI: 10.1080/02678370500297720(abre em nova aba)
- Maslach, C., & Jackson, S. E. (1981). The measurement of experienced burnout. Journal of Occupational Behaviour, 2(2), 99–113. DOI: 10.1002/job.4030020205(abre em nova aba)
- Bianchi, R., Schonfeld, I. S., & Laurent, E. (2015). Burnout–depression overlap: A review. Clinical Psychology Review, 36, 28–41. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- World Health Organization (2019). Burn-out an "occupational phenomenon": International Classification of Diseases. WHO news release, 28 May 2019. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)