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Ciência · Escolha forçada

Valores humanos básicos: a teoria de Shalom Schwartz

A teoria de valores de Shalom Schwartz foi testada em dezenas de países e é a referência da psicologia para entender o que as pessoas consideram importante na vida.

De onde vem o modelo

Valores são metas amplas que orientam escolhas, como segurança, liberdade, poder ou bem-estar dos outros. Nos anos 1970, Milton Rokeach mostrou que valores podem ser medidos pedindo que as pessoas os ordenem por importância. A partir dos anos 1980, o psicólogo social Shalom Schwartz propôs uma teoria mais completa: dez valores básicos reconhecidos em todas as culturas, organizados em um círculo de compatibilidades e conflitos (Schwartz, 1992).

Valores vizinhos no círculo se reforçam, como benevolência e universalismo. Valores opostos entram em tensão, como realização pessoal e cuidado com os outros. Os dez valores se agrupam em quatro dimensões de ordem superior: Abertura à Mudança, Autopromoção, Conservação e Autotranscendência. Em 2012, Schwartz e colegas refinaram o modelo para 19 valores mais específicos (Schwartz et al., 2012).

O que a pesquisa diz

A estrutura circular foi encontrada em amostras de dezenas de países, com variações pequenas na posição de alguns valores (Schwartz, 1992; Schwartz, 2012). Isso faz da teoria um dos modelos mais bem apoiados da psicologia transcultural.

Valores predizem atitudes e comportamentos, como voto, consumo, escolha profissional e comportamento pró-social, embora as correlações sejam em geral moderadas: valores orientam, mas a situação também pesa (Bardi & Schwartz, 2003). Os valores mais importantes para a média das pessoas também são parecidos entre culturas, com benevolência e universalismo no topo e poder perto da base.

Por que a escolha forçada combina com valores

Valores só ganham sentido quando entram em conflito: quase todo mundo diz que segurança e liberdade são importantes. Por isso, a pesquisa de Schwartz recomenda analisar as prioridades de cada pessoa em relação à sua própria média, centrando as respostas. Um formato de comparação, que obriga a escolher, captura justamente essas prioridades relativas.

Limitações

O teste do Ethea mede apenas as quatro dimensões de ordem superior, não os dez ou dezenove valores. Como usa escolha forçada, mostra a hierarquia dos seus valores, não o quanto você valoriza cada um em comparação com outras pessoas. Valores podem mudar com fases da vida e contextos. O teste não foi validado contra os questionários de pesquisa de Schwartz.

Como o Ethea adapta o modelo

A versão do Ethea tem 16 blocos de quatro frases, uma por dimensão; você marca a mais e a menos importante para você, e cada dimensão aparece 16 vezes. O resultado mostra a dimensão que você mais prioriza, a que menos prioriza e as tensões entre elas, seguindo a lógica do círculo de Schwartz.

Teste criado por Giovanni Oliveira.

Referências

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  1. Rokeach, M. (1973). The Nature of Human Values. Free Press. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
  2. Schwartz, S. H. (1992). Universals in the content and structure of values: Theoretical advances and empirical tests in 20 countries. Advances in Experimental Social Psychology, 25, 1–65. DOI: 10.1016/S0065-2601(08)60281-6(abre em nova aba)
  3. Schwartz, S. H. (2012). An overview of the Schwartz theory of basic values. Online Readings in Psychology and Culture, 2(1). DOI: 10.9707/2307-0919.1116(abre em nova aba)
  4. Schwartz, S. H., Cieciuch, J., Vecchione, M., Davidov, E., Fischer, R., Beierlein, C., et al. (2012). Refining the theory of basic individual values. Journal of Personality and Social Psychology, 103(4), 663–688. DOI: 10.1037/a0029393(abre em nova aba)
  5. Bardi, A., & Schwartz, S. H. (2003). Values and behavior: Strength and structure of relations. Personality and Social Psychology Bulletin, 29(10), 1207–1220. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
  6. Hicks, L. E. (1970). Some properties of ipsative, normative, and forced-choice normative measures. Psychological Bulletin, 74(3), 167–184. DOI: 10.1037/h0029780(abre em nova aba)
  7. Brown, A., & Maydeu-Olivares, A. (2011). Item response modeling of forced-choice questionnaires. Educational and Psychological Measurement, 71(3), 460–502. DOI: 10.1177/0013164410375112(abre em nova aba)
  8. Brown, A., & Maydeu-Olivares, A. (2013). How IRT can solve problems of ipsative data in forced-choice questionnaires. Psychological Methods, 18(1), 36–52. DOI: 10.1037/a0030641(abre em nova aba)