
Interesses profissionais: o modelo RIASEC de John Holland
O modelo de seis tipos de interesse de John Holland é a base da maioria dos testes vocacionais do mundo. Tem décadas de pesquisa e é usado pelo sistema público de informações ocupacionais dos EUA.
De onde vem o modelo
O psicólogo John Holland propôs, a partir do fim dos anos 1950, que tanto pessoas quanto ambientes de trabalho podem ser descritos por seis tipos de interesse: Realista (fazer, consertar, trabalhar com coisas), Investigativo (pesquisar, entender), Artístico (criar, expressar), Social (ajudar, ensinar), Empreendedor (liderar, persuadir) e Convencional (organizar, seguir procedimentos). A sigla RIASEC vem das iniciais em inglês.
Holland organizou os seis tipos em um hexágono: tipos vizinhos, como Investigativo e Artístico, se parecem mais; tipos opostos, como Artístico e Convencional, se parecem menos. A ideia central da teoria é a congruência: pessoas tendem a ficar mais satisfeitas em ambientes que combinam com seus interesses (Holland, 1997).
O que a pesquisa diz
O modelo é um dos mais estudados da psicologia vocacional (Nauta, 2010). A estrutura circular dos seis tipos aparece de forma razoável em vários grupos, embora se ajuste melhor em amostras dos EUA do que em outros países (Rounds & Tracey, 1996). Interesses são relativamente estáveis a partir do início da vida adulta.
Por muito tempo se acreditou que interesses previam satisfação, mas não desempenho. Uma meta-análise de mais de 60 anos de estudos mostrou que interesses, especialmente quando combinam com o trabalho, também se associam a desempenho e permanência, com efeitos comparáveis aos de traços de personalidade (Nye et al., 2012). A relação entre congruência e satisfação existe, mas é modesta.
O Departamento do Trabalho dos EUA usa o modelo na rede O*NET, que classifica centenas de ocupações por código RIASEC e oferece um perfilador de interesses gratuito, de domínio público.
Críticas e debates
Há diferenças médias grandes entre homens e mulheres na dimensão "coisas versus pessoas" (Su, Rounds & Armstrong, 2009), o que levanta discussões sobre socialização e sobre o risco de testes reforçarem estereótipos. Outra crítica é que seis tipos são uma simplificação: interesses específicos dentro de um mesmo tipo podem variar muito.
Limitações
O teste do Ethea usa escolha forçada entre pares de atividades, então mostra a ordem dos seus interesses, não a intensidade. Alguém com pouco interesse por quase tudo e alguém com muito interesse por tudo podem receber o mesmo código. Com 30 itens, as duas últimas letras do código costumam ser menos estáveis do que a primeira. O teste não substitui orientação profissional e não foi validado em amostras independentes.
Como o Ethea adapta o modelo
A versão do Ethea compara cada tipo com cada um dos outros cinco em 30 pares de atividades (15 combinações, duas rodadas). O resultado gera um código de três letras, como SAE, seguindo a convenção de Holland, com sugestões de áreas para explorar. Os exemplos de atividades foram escritos para fazer sentido no Brasil e na América Latina.
Teste criado por Giovanni Oliveira.
O Ethea não tem vínculo com as editoras que comercializam instrumentos oficiais baseados no modelo de Holland nem com o Departamento do Trabalho dos EUA.
Referências
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- Holland, J. L. (1997). Making Vocational Choices: A Theory of Vocational Personalities and Work Environments (3rd ed.). Psychological Assessment Resources. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- Nauta, M. M. (2010). The development, evolution, and status of Holland's theory of vocational personalities: Reflections and future directions for counseling psychology. Journal of Counseling Psychology, 57(1), 11–22. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- Rounds, J., & Tracey, T. J. (1996). Cross-cultural structural equivalence of RIASEC models and measures. Journal of Counseling Psychology, 43(3), 310–329. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- Nye, C. D., Su, R., Rounds, J., & Drasgow, F. (2012). Vocational interests and performance: A quantitative summary of over 60 years of research. Perspectives on Psychological Science, 7(4), 384–403. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- Su, R., Rounds, J., & Armstrong, P. I. (2009). Men and things, women and people: A meta-analysis of sex differences in interests. Psychological Bulletin, 135(6), 859–884. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- National Center for O*NET Development (n.d.). O*NET Resource Center. U.S. Department of Labor, Employment and Training Administration. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- Hicks, L. E. (1970). Some properties of ipsative, normative, and forced-choice normative measures. Psychological Bulletin, 74(3), 167–184. DOI: 10.1037/h0029780(abre em nova aba)
- Brown, A., & Maydeu-Olivares, A. (2011). Item response modeling of forced-choice questionnaires. Educational and Psychological Measurement, 71(3), 460–502. DOI: 10.1177/0013164410375112(abre em nova aba)
- Brown, A., & Maydeu-Olivares, A. (2013). How IRT can solve problems of ipsative data in forced-choice questionnaires. Psychological Methods, 18(1), 36–52. DOI: 10.1037/a0030641(abre em nova aba)