
As 10 características do comportamento empreendedor: de McClelland ao seu perfil
Nos anos 1980, uma equipe ligada a David McClelland entrevistou empreendedores em três países e descreveu dez comportamentos que separavam os mais bem-sucedidos dos medianos. Este perfil mede com que frequência você os pratica.
De onde vem o modelo
David McClelland, psicólogo de Harvard, passou décadas estudando a motivação de realização: a vontade de fazer algo melhor do que antes, por conta própria. No livro The Achieving Society (1961), ele propôs que essa motivação ajudava a explicar o surgimento de empreendedores e o crescimento econômico de sociedades inteiras.
Nos anos 1980, a consultoria McBer & Co., fundada por McClelland, conduziu um estudo para a agência de cooperação dos Estados Unidos (USAID). A equipe fez entrevistas longas e detalhadas sobre episódios reais com empreendedores na Índia, no Malawi e no Equador, comparando os de desempenho alto com os de desempenho médio (Mansfield et al., 1987; McClelland, 1987). Dessas entrevistas saiu uma lista de competências que, depois condensada, ficou conhecida como as dez características do comportamento empreendedor, agrupadas em três conjuntos: realização, planejamento e poder.
Desde então, esse modelo é usado em programas de formação de empreendedores em dezenas de países, incluindo programas apoiados pelas Nações Unidas (UNCTAD).
Os dez comportamentos
Realização: busca de oportunidades e iniciativa; correr riscos calculados; exigência de qualidade e eficiência; persistência; comprometimento.
Planejamento: busca de informações; estabelecimento de metas; planejamento e monitoramento sistemáticos.
Poder: persuasão e rede de contatos; independência e autoconfiança.
A ideia central é que são comportamentos, não traços fixos: coisas que se fazem com mais ou menos frequência e que podem ser treinadas.
O que a pesquisa diz
Meta-análises confirmam que a motivação de realização tem relação com escolher empreender e com o desempenho do negócio, mas o efeito é moderado, não decisivo (Collins, Hanges & Locke, 2004; Stewart & Roth, 2007). Revisões sobre personalidade e empreendedorismo chegam a uma conclusão parecida: traços e comportamentos ligados à ação, à realização e à autonomia importam, ao lado de contexto, recursos e sorte (Rauch & Frese, 2007).
Estudos brasileiros com questionários de autoavaliação baseados nos dez comportamentos encontram boa consistência interna no conjunto, mas também mostram que os dez tendem a se agrupar num fator geral, em vez de formar dez dimensões bem separadas (Mourão & Locatelli, 2020).
Limitações
É um autorrelato: mede como você se vê, e as pessoas tendem a se descrever um pouco melhor do que agem. Por isso o perfil inclui perguntas de consistência e avisa quando as respostas parecem perfeitas demais. Os dez comportamentos se sobrepõem bastante, então as diferenças pequenas entre eles não devem ser levadas ao pé da letra. Esta versão do Ethea ainda não tem estudos próprios de validade preditiva. Use o resultado para escolher o que desenvolver, nunca para selecionar ou avaliar pessoas.
Como o Ethea adapta o modelo
As 40 frases foram escritas pelo Ethea a partir da descrição publicada dos dez comportamentos; não são o questionário original nem uma tradução dele. São quatro frases por comportamento, uma delas invertida para reduzir a tendência a concordar com tudo, e quatro perguntas de consistência que não entram na pontuação. Cada comportamento e cada conjunto vira uma pontuação de 0 a 100. O resultado destaca os três comportamentos mais fortes, com o risco de cada um quando passa do ponto, os três que mais vale desenvolver, com uma prática para cada, e combinações que costumam travar resultados.
Teste criado por Giovanni Oliveira.
Perfil independente, sem afiliação com programas de formação de empreendedores que usam o mesmo modelo.
Referências
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- McClelland, D. C. (1961). The Achieving Society. Princeton, NJ: Van Nostrand. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- McClelland, D. C. (1987). Characteristics of successful entrepreneurs. Journal of Creative Behavior, 21(3), 219–233. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- Mansfield, R. S., McClelland, D. C., Spencer, L. M., & Santiago, J. (1987). The identification and assessment of competencies and other personal characteristics of entrepreneurs in developing countries. Final report, McBer and Company for USAID. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- Collins, C. J., Hanges, P. J., & Locke, E. A. (2004). The relationship of achievement motivation to entrepreneurial behavior: A meta-analysis. Human Performance, 17(1), 95–117. DOI: 10.1207/S15327043HUP1701_5(abre em nova aba)
- Stewart, W. H., & Roth, P. L. (2007). A meta-analysis of achievement motivation differences between entrepreneurs and managers. Journal of Small Business Management, 45(4), 401–421. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- Rauch, A., & Frese, M. (2007). Let's put the person back into entrepreneurship research: A meta-analysis on the relationship between business owners' personality traits, business creation, and success. European Journal of Work and Organizational Psychology, 16(4), 353–385. Buscar no Google Acadêmico(abre em nova aba)
- Mourão, P. R., & Locatelli, D. R. S. (2020). Testing McClelland at the Academy: An Analysis of Entrepreneurial Behavioral Characteristics. Sustainability, 12(5), 1771. DOI: 10.3390/su12051771(abre em nova aba)